sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Material boy

Quem me conhece sabe que eu não sei muito bem diferenciar o que é íntimo do que é publicável. Então lá vai: Como alguns sabem, nesta virada de ano passei por uma grande suspeita de que iria ser pai. Acabou que era apenas mais um alarme falso. Um dos vários pelo qual passei em minha vida. Sim, sou adepto da prática milenar do coito interrompido. Muitos me dizem coisas do tipo:

- Você é louco! Como é que você transa com alguém que você nem conhece sem camisinha? Você não vê aquelas propagandas da MTV não?

Peraí gente, não é assim também não. Na primeira vez eu sempre uso. A partir daí eu já conheço a pessoa, né? Dãããã. Enfim, estava praticamente certo de que desta vez não ia ter escapatória. Menina fez exame de farmácia, deu positivo e tudo mais. Não sei se foi só por causa disso, mas eu passei a reparar como tem gente carregando bebês pelas ruas. Eu seria mais um.

Apesar de todo o contexto trash em que tudo aconteceu, eu estava começando a me acostumar com a idéia. Já estava fazendo planos, escolhendo um nome original para o pivete (Diogo Jr.), olhando roupas rock ‘n’ roll para bebês, vendo vídeos de parto no Youtube (não sei se isso é normal, mas achei alguns bem sexy). Ia criar o moleque à minha imagem e semelhança. Coisa linda. Ia colocar um pendrive só com rock do bom pela vagina da mãe para o menino ir se acostumando desde cedo.

Todas as vezes em que acabei descobrindo ser tudo alarme falso, fiquei mais decepcionado do que aliviado. Mas nunca tanto como desta vez. Um dia estava vendo Dr. Phil com o caso da senhora que havia cortado relações com sua filha e sua neta. Em um momento estratégico, a produção entrou com a netinha no palco. Menininha muito bonitinha. Dr. Phil disse para a avó: Olha só o que você está perdendo. Chorei igual uma bicha emocore. Pensei no que eu havia perdido. Dr. Phil sabe das coisas. Não é a toa que ele é o psicólogo das celebridades.

Enfim, fiquei com a idéia de ter filhos fixa na cabeça. Na verdade, sempre tive desconfiança de que eu era estéril. Ou isso ou sempre fui expert na arte de tirar fora na hora certa, beibe. No passado namorei uma menina por dois anos, só no coito interrompido. Assim que ela terminou comigo, teve filho com um mané aí. Tenho ou não razão em desconfiar que sou oco?

Resolvi fazer um teste para ver que atitude ia tomar dali para frente na minha vida. Se eu fosse estéril, ia me arrepender tanto de todas as vezes que eu poderia ter ido até o final e acabei tendo que parar no meio. Em compensação, ia fazer sucesso com a mulherada:

- Espere, espere. E a camisinha?

- Relaxe, boneca. Eu sou estéril. E, comigo, você não precisa nem de usar pílula.

Eu ia ficar bem falado no meio feminino demais. Oh sim, tem as doenças. Oh céus! Uma coisa de cada vez. Fui a um urologista com cara de areia mijada pegar a guia para fazer o espermograma. A recepcionista fica olhando pra gente como quem ta imaginando: “O que será que esse cara tem?”. Com certeza ela não sairia com nenhum dos caras que passam por aquele consultório. Confesso que eu também fiquei reparando se algum dos caras que tava na fila tava com alguma dificuldade para andar.

Areia Mijada me deu más notícias: Eu precisaria ficar cinco dias sem ter orgasmos. Seria isto possível para um adolescente da minha idade?

Passei a semana fazendo academia igual um tarado. Precisava de algo para gastar minhas energias. Fiz algumas receitas, vi muitos filmes, capinei um terreno, construí um foguete. Tudo que tirasse sexo da minha cabeça. Então seria melhor evitar internet também. Sobrevivi a essa semana e fui ao laboratório numa sexta-feira. Lá, me disseram:

- Você já colheu material?

- Não.

- Pois é. Hoje não dá mais. Este tipo de material a gente só recolhe até nove da manhã.

Interessante eles chamarem porra de “material”. E por que será que só colhiam até nove horas? Provavelmente porque não queriam ninguém depenando o sabiá depois que já tivesse chegado a faxineira para purificar o local.

Eles tinham me dado a opção de colher em casa. Mas como eu faria? Ia colocar num pote de margarina? Aí quando ela me perguntasse se eu tinha colhido material eu só balançaria o potinho, como quem responde afirmativamente. Além do mais, não podia ter mais de meia hora desde o momento da coleta até o da entrega. Meus meninos provavelmente morreriam enquanto eu estivesse na fila.

Como eu só teria folga de novo na sexta feira da semana seguinte, fui correndo para casa para descarregar imediatamente toda a tensão acumulada ao longo daqueles dias. Eis que, quando chego, minha mãe resolveu aparecer para uma visita. Merde! Pra completar ainda toca o telefone, com ela do meu lado:

- Aí Diogo, fiquei sabendo que vai ser papai. Parabéns.

- Pois é. Tem uns pormenores aí. Depois a gente fala disso.

Depois que mamãe foi embora, passei por uma maratona erótica naquele fim de semana. A essa altura, a porra já tinha virado queijo minas. Era preciso me preparar para outra semana de seca.

Tive dificuldades para dormir de quinta para sexta. Imagina só, ter que acordar cedinho e bater uma punheta, ainda bocejando. Tive medo de não conseguir funcionar sob pressão. Imaginei uma fila de caras impacientes batendo na porta. Imaginei clínicos fazendo torcida:

- Vamos lá, você consegue!

Eu estava tenso enquanto estava na fila. O papelzinho com meu número tremia na minha mão. Como dali poucos minutos chegaria a minha vez, comecei a me concentrar em todo tipo de putaria. Via umas crianças bonitinhas na fila e pensava: “Ahhhhhhh”. Mas logo depois: “Agora não é hora para isso. Putaria, putaria, putaria, putaria”. Minutos depois me vejo de frente para um enfermeiro:

- Vou te levar ali para um banheirinho.

Banheirinho? Será que eles queriam criar um clima semelhante ao da nossa casa? Chegando lá o cara foi me explicando o processo:

- Ó, você urina para lavar o canal da uretra, lava as mãos, se seca, passa esse lencinho úmido no pênis. Aí você está pronto para masturbar. Depois você mira aqui dentro do potinho. Não pode haver nenhuma perda do material.

Ele falou “masturbar’ bem baixinho. Claramente era constrangedor o trabalho de instrutor de bronha. Toda vez que ele fazia referência ao meu pênis, ele mostrava o dedo. Tentei segurar o riso o tempo todo, mas não me contive quando ele me deu uma piscadinha de olho:

- Tá aqui um pornozinho.

Revista de nu artístico. Acho que isso só cola com menino de 12 anos. Obviamente dei uma folheada. Com as pontas dos dedos. O lugar tinha um cheiro estranho e a porta não tinha tranca. Também, havia uma janela enorme no banheiro, que dava de frente para um prédio em construção. Ah, eu ia fazer show pros pedreiros mesmo. Não tava nem aí.

Uns 15 minutos depois toquei a campainha. Uma enfermeira linda de olhos azuis apareceu. Nossa, nem precisava de pornozinho nem nada, era só mandar a enfermeira bater um papinho com a moçada que o resultado seria eficaz:

- Olha, eu gosto muito de dominar. Mas também adoro ser dominada...

Eu ainda estava encantado com os olhinhos dela quando ela interrompeu meus pensamentos:

- Pode colocar o material sobre a bandeja.

- Ammmm. Que material?

- O SEU material.

Disse isso como quem fala com um débil mental, mas ela haveria de perdoar minha distração. Afinal, eu conhecia aquilo por outro nome. Ainda completou:

- Houve perda de material?

Sério, qual é o pavor que esse povo tem com a perda de material? Com certeza porque eles não queriam arriscar pegar num copo em que respingou um pouco do lado de fora. Tanto é que tive ainda que colocar o copo numa bandeja. Engraçado como hora nenhuma ninguém pega na sua mão. Na segunda feira busquei o resultado. Três folhas com um monte de números. Alguns dados interessantes do meu exame:

Volume: 4,5 ml (Uau!)

Odor: Típico (Sério que teve um cara que ficou cheirando a minha porra?)

Viscosidade: Alta (Em outras palavras: queijão)

Cor: Branco opalescente

Identificação das formas:

Oval: 53%

Amorfo: 43%

Bicéfalo: 0% (Espermatozóide de duas cabeças? Sinistro!)

Marquei nova consulta no urologista Areia Mijada. Estava ansioso pelo resultado. Mas infelizmente meu carro morreu no meio do caminho. Parecia que Deus não queria que eu soubesse a dura verdade. Remarquei. O Areia Mijada só passou o olho no papel e me falou o resultado. Pelo visto não precisava daquela segunda consulta. O resultado já estava nos papéis, porém camuflado com um monte de números e dados inúteis. Ao invés de simplesmente escrever “fértil” ou “infértil”, eles mantém um conluio com os médicos que nos obrigam a pagar por uma nova consulta. Bando de safados.

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